terça-feira, 30 de agosto de 2011

Reflexões monográficas


       O estudo da Ciência Econômica é um desafio constante. É um processo recorrente de colocar em xeque concepções pré-estabelecidas sobre o mundo em que vivemos, sem necessariamente substituí-las por outras, afinal, o que faz o conhecimento não são necessariamente as respostas, mas os questionamentos. Durante o período em que cursei o bacharelado em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Uberlândia, muito aprendi, mas também ampliei o escopo daquilo que se há de aprender. Uma vez li uma poesia, antes de entrar na universidade, que diria que nós saímos dela mais verde do que entramos, considerando a relatividade desse verde. Nesse sentido atribuído pelo autor da poesia, creio que o mundo será eternamente verde, pois haverá sempre o que descobrir.

       Ter feito esse curso foi essencial para manter acesa a chama da busca constante pelo conhecimento do mundo, por meio da razão e da experiência. Foi o motor da criação e consolidação de algum senso crítico. Foi de uma importância ímpar, fornecendo as ferramentas e as discussões de base para compor uma visão de mundo. Foi esclarecedor, inquietante, questionador e provocador. E é isso que faz alguma diferença na busca pelo conhecimento. Não quero fazer apologia crua do curso, quero apenas ressaltar seus pontos positivos, não desconsiderando a existência dos negativos.

       Existe algo que logo no início do curso nos é ensinado: a existência de uma dimensão normativa e de outra positiva dentro da ciência em geral. A primeira trata, grosso modo, daquilo que deveria ser, enquanto que a segunda trata daquilo que é de fato. Durante o curso, essas duas dimensões aparecem constantemente, pois antes de fazerem parte da discussão econômica, são parte integrante do pensamento humano: estamos sempre no embate entre aquilo que somos e aquilo que achamos que devemos ser. No caso específico da ciência econômica, em que estudamos os arranjos sociais e produtivos em torno dos quais nós seres humanos nos organizamos, esse embate é patente e essencial para seu desenvolvimento. Estamos fervorosamente buscando saber o que de fato é a realidade em que vivemos e ainda buscando entender como ela deveria ser. 

       Desconheço uma referência que tenha dito o que vou colocar agora, mas creio que ela exista e provavelmente de forma não singular, mas vejo que o embate teórico mais evidente da teoria econômica, ou seja, aquele entre a economia “convencional” composta pela visão neoclássica e aquele da economia “heterodoxa”, composta pela visão crítica à primeira, nada mais é do que a expressão do embate entre o que deveria ser e o que é. Ora, a primeira constrói modelos baseados em pressupostos na maioria das vezes ideais, na busca daquilo que seria uma situação equilibrada e ótima para todos os indivíduos, enquanto que a segunda analisa a realidade e mostra as contradições que nela subsistem. A primeira vê os problemas como um desprendimento da trajetória em busca do que deveria ser a economia, mas a segunda os vê como parte integrante da realidade dessa economia. 

       
       Considero que o debate teórico é essencial para o desenvolvimento de uma ciência, e o debate entre duas visões foi crucial para a consolidação da ciência econômica e para a proposição de soluções para os problemas da humanidade. Mas deve-se prestar atenção para que do debate sempre surjam novas colocações, afinal cada lado desse embate tem o que contribuir. Lembremos de Hegel: a uma tese sempre corresponde uma antítese e do embate delas se forma uma síntese (que por sua vez se constituirá em nova tese). Coloco isso pois considero que existem momentos em que o debate é feito de forma irracional, pois na verdade cada lado dele está falando de uma coisa totalmente diferente. Cabe entender o que cada um tem com o que contribuir. 

       Penso que esse momento, de fechamento do curso, é o momento de fazer a síntese a partir de todas as teses e antíteses abordadas, de modo que isso constitua uma nova tese. Aqui falo de ciência, e não de política, por isso não acho que seja o caso de mostrar uma “filiação” (e esse é o termo utilizado) para alguma determinada corrente teórica, mas mostrar que é possível fazer ciência mostrando a contribuição de cada um, colocando sempre em voga o debate entre aquilo que é e aquilo que acreditamos que deveria ser. E assim continua o desenvolvimento da ciência, para o qual espero dar minha humilde contribuição.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Academicismo": banalização da vida acadêmica e produção intelectual inconsequente

Il ne faut pas...

Il ne faut pas laisser les intellectuels jouer avec les
allumettes
Parce que Messieurs quand on le laisse seul
Le monde mental Messssieurs
N'est pas du tout brillant
Et sitôt qu'il est seul
Travaille arbitrairement
S'érigeant pour soi-même
Et soi-disant généreusement en l'honneur des travailleurs du bâtiment
Un auto-monument
Répétons-le Messssssieurs
Quand on le laisse seul
Le monde mental
Ment
Monumentalement.
Jacques Prévert. Paroles. Paris: 1949

Jacques Prévert não foi o primeiro nem o último cara a realizar uma crítica aos intelectuais. Agora, pretendo dar alguma contribuição para o assunto por meio dessa postagem.

Foram várias e várias as fontes de insights que me propiciaram a ideia de escrever sobre o assunto. E, putz, faz uma cara que eu não posto aqui não só por falta de tempo, mas também porque fiquei muito tempo reunindo coisas nessas gavetas cerebrais pra tentar formular alguma coisa. E, principalmente, alguma coisa que não fosse mera produção acadêmica sem valor algum.

Pra mim, uma das coisas mais deprimentes do mundo foi ouvir da boca de professores coisas como "ninguém precisa ser original hoje mais, até tese de doutorado não precisa de critério de originalidade". Normalmente, as pessoas ficam mais reflexivas quando estão fazendo suas monografias? Não sei, mas acho que todo mundo, em alguma medida, tenta "descobrir o Brasil", mesmo no plano das ideias. Mas sempre o orientador, ou qualquer outra pessoa, te dá um foco pra que você de fato consiga escrever alguma coisa na monografia, que, de fato, não pode ser um trabalho muito extenso. Algumas coisas precisam ser "deixadas" para outro momento da vida. Até aí tudo bem.

Mas daí a sofrer um desestímulo por parte de alguém da academia (teoricamente um conceituado intelectual responsável pela elaboração de conhecimentos RELEVANTES) a fazer algo original? Ainda com o argumento de que nem doutores precisam ser originais hoje em dia? Peraí, se é assim, o acadêmico serve pra que?

Como tudo na superestrutura capitalista (e quantas vezes eu já entrei nesse âmbito no blog), temos que ter em mente que o que guia esse sistema é sempre a lógica do dinheiro. Claro, como haveria de ser verdade, o que se vê hoje é a academia também sendo guiada para esse fim. Pelo menos eu vejo assim. Se existem tantos produtivistas por aí, parece que o único intuito de escrever um trabalho é para que você ganhe um certo reconhecimento que te propicia dinheiro, principalmente na forma das chamadas bolsas de produtividade. Como o próprio nome diz, você ganha para produzir. Mas para produzir o que? Afinal, o que está sendo produzido tem qual validade?

Certa vez um professor em sala de aula disse algo bastante sintético nesse sentido: "vocês que farão mestrado e doutorado terão professores piores do que os que eu tive". Isso porque os intelectuais outrora eram, antes de mais nada, estudiosos, sábios. Pessoas que de fato traziam uma contribuição fundamental ao crescimento da ciência e, enquanto bons intelectuais, possuíam uma abrangência e certa propriedade para falar de quase tudo dentro da sua área do conhecimento (ou até mesmo fora dela, pois também tinham uma preocupação fundamental com a bagagem cultural e a experiência). Isso é o resultado da formação de uma pessoa que se graduou e ainda continuou estudando, mas fez mestrado ou doutorado (se é que fez) num outro momento da vida, com maior maturidade e experiência. No fim da vida, os caras nem escreveram tanta coisa, mas o que escreveram é de uma relevância bastante considerável. Boa parte dos grandes intelectuais (de verdade) que conheci sequer tinham mestrado.

Hoje, os acadêmicos são muito mais "eficientes" e o "mercado" exige que, para que ganhem dinheiro rápido, devem fazer mestrado e doutorado tout de suite e ser um doutor com nem 30 anos. Alguns ainda nem sabem o que é uma sala de aula e se tornam professores, por que detêm um título, que deixou de ser uma consequência para ser um objetivo primordial que, na verdade, leva ao dinheiro. Resultado, formam-se acadêmicos muito novos, pouco experientes, com pouca abrangência, mas que sabem muito...................sobre uma coisa bastante específica. E o resto? bom, o resto...


Antes uma disciplina rodava mais entre os professores, porque todos eram de certa forma capazes de ministrar quase tudo. Hoje um cara só consegue dar aula de uma coisa porque aquilo é o que ele fez a vida inteira, não dá pra escapar. O intelectual que antes contribuía para o avanço da ciência agora usa da ciência desenvolvida para explicar algo extremamente específico. Aliás, a ideia hoje é produção, produção. "Você TEM QUE produzir". Isso soa como: TENHO QUE PRODUZIR, não importa o que. Esse não importa o que soa como "nem que seja pegar o que alguém já fez e fazer igual pra uma situação muito parecida", afinal, nem doutorado precisa ser original mais né (em algumas áreas e em alguns institutos ainda é, graças!). Eu mesmo já vi tese de doutorado ser igual a um artigo de outra pessoa. A única coisa que mudava era o número de páginas e a quantidade de números pra provar a mesma coisa.

E revistas são criadas para hospedar o crescente número de publicações de baixa relevância. As que não são extremamente específicas são apenas revisões bibliográficas. Resumos. Não que eles não sejam importantes, afinal alguém pode te ajudar a entender aquilo que você não entendeu de um determinado autor. Mas isso é utilizado como produção intelectual, quando na verdade, não tem nada de novo. E depois as revistas podem ser arquivadas, afinal, pra que divulgar o conhecimento produzido? (aliás, outro problema, grande parte do conhecimento é pouco difundido nos meios não-acadêmicos.......)

É sempre bom lembrar que esse é um assunto complicado porque, de fato, existem bastantes exceções à essa regra e, thank god, essas exceções ainda podem fazer muito pela ciência e pelo homem. Mas é sempre bom lembrar também que a tendência apontada se intensifica a cada dia, pois estamos num sistema em pleno desenvolvimento, cuja lógica tende a guiar todos os seus padrões. Outra coisa que é válida lembrar: cada um fala com o ponto de vista do seu "lugar social" e, como é de se esperar, eu estou falando do meu. Uma pessoa pode vir aqui e contradizer tudo o que eu disse com fatos que parte de outro lugar social onde predominam as exceções. Bom, creio que as duas coisas subsistem.

Me preocupo muito com isso pois penso seriamente em seguir vida acadêmica (e essas reflexões se tornam mais pujantes quando do fim do curso........... e da produção da monografia). Mas, definitivamente, se for pra ser um acadêmico como esses que citei, acho que prefiro ganhar dinheiro de uma forma mais capitalista. Todavia, me preocupo muito com a ciência para o homem, que ainda tem muito o que aprender. E espero sinceramente poder de alguma forma contribuir para isso algum dia.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Propaganda Política Virtual: em busca de uma opinião concreta


Ótimo assunto para se escrever quando não se está de muito bom humor: Propaganda Política.

Odeio, com todas as minhas forças. E às vezes me faz rir, de desgosto, talvez.

Na verdade, era para ser algo totalmente desnecessário, afinal, um representante da sociedade deveria receber votos a partir dos seus próprios méritos: da capacidade de intervenção em prol de um interesse coletivo, e não individual, da iniciativa e, claro, da popularidade, mas, digamos, de modo que ela seja construída com ações concretas e não com discursos demagogos.

Infelizmente e nosso país tem problemas SERÍSSIMOS nesse quesito. Via de regra, a enorme quantidade de escândalos gerada por meio de rixas políticas por meio de propagandas eleitorais gera, ao cabo, uma eleição de um determinado candidato que chegou ao posto muito menos pelos seus méritos e muito mais pela capacidade retórica/demagógica de convencer as pessoas a dedicarem seus momentos de democracia ao indivíduo, às vezes, com alguns incentivos a mais, de âmbito monetário, se é que vocês me entendem. Claro que existem exceções, mas a regra funciona mais ou menos assim.

Então, esse é mais um aspecto da superestrutura da sociedade capitalista que segue a velha lógica individualista, afinal, a carreira de um político parece estar muito mais associada aos recursos que esse move para a sua campanha (e os lobbies, propinas e escândalos representam alguns custos necessários para a empreitada), de modo a usufruir dos benefícios de ser eleito do que a uma representação social de fato. De novo, lembro que existem exceções e que, de fato, a política no seu sentido social existe aqui e em todo o resto do mundo, mas gostaria de ressaltar que também o âmbito político está dentro de uma esfera maior, a lógica capitalista, tema que venho tentando abordar sempre nesse blog. Mais distorções, mais contradições...

Em outras palavras, atento para que os políticos não são seres externos altamente corruptíveis pelo poder, que agem sempre de uma forma individualista e inescrupulosa por serem...políticos. Não, eles ainda são representantes sociais e, por isso mesmo refletem um caráter social da nossa sociedade! Portanto não coloquemos a culpa de nada neles pois toda a carniça está no âmago da lógica que resolvemos adotar para as nossas vidas. 

O marketing também é uma coisa que surgiu com o capitalismo, devido a necessidade de divulgar as mercadorias e provocar consumo exagerado das grandes massas, visando, é claro, money money money. E aí temos uma linha tênue entre política e marketing...pessoal. Peraí, marketing pessoal para algo intrinsecamente social?

E que ***** ... Afinal, agora vão utilizar o meio virtual também para fazer propaganda política.


Se tem uma coisa que surgiu no sistema capitalista, mas que, intrinsecamente, me parece desprovido de uma lógica relacionada ao lucro individualista, apesar de ter sido criada no bojo de empresas que com certeza ganham muito dinheiro com isso...é a Internet. Existem muitas coisas que podem ser feitas no meio virtual que não precisam de dinheiro e, por isso, eu de fato acredito bastante no potencial da internet para uma inversão de paradigma no futuro. Mas é claro que sempre se arruma um jeito de usufruir desse meio para interesses individuais, marqueteiros, bla bla bla. E é isso que vai acontecer agora com a propaganda eleitoral.

¨%*&*%&*$%&... O Dep. João Bittar tá me seguindo no Twitter, pronto falei. É isso que me gerou raiva suficiente para fazer essa postagem, puto da vida, afinal se escancarou o fato de que agora teremos que aguentar propaganda eleitoral na internet.

PORQUE DIABOS aquele salafrário aproveitador de lares de idosos para conseguir votos* está ME seguindo no Twitter? Estou começando a achar que estão me considerando subversivo! Vão me considerar mesmo se verem isso aqui. Bom, estou usando a Internet para exercer liberdade de expressão.

*Tenho informações e depoimentos concretos que provam isso.

Essa postagem tem um intuito especial, além de desabafar. Saber a opinião de mais pessoas sobre propaganda eleitoral na internet. Pra mim vai ser um saco ter que aguentar isso aqui também.

O voto nulo significa descontentamento perante os candidatos existentes. Lembrem-se disso.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Solidariedade ofuscada: qual a natureza do comportamento humano?

Estranho o título dessa postagem? Mais estranha é a inspiração que tive para fazer essa postagem.

Esses dias, de passagem pela televisão, percebi que o Manoel Carlos tem finalizado todos os episódios da sua atual "novela das 8" de uma forma peculiar: com "depoimentos de superação". Apesar de não acompanhar novelas e não ter apreço algum por elas, esses depoimentos me fizeram pensar uma coisa. Atento não para aqueles que falam de doenças ou superação pessoal, mas aqueles que tratam de solidariedade.

Reparei que, por mais louváveis que fossem as atitudes daqueles que aparecem falando de iniciativas solidárias consistentes, a maioria, senão todos eles partiram para perseguir esses projetos depois que alguma desgraça tivesse incorrido na vida deles. Um exemplo: uma pessoa que se tornou cientista social que trabalha em prol das pessoas com distúrbio alimentar que passou a perseguir o projeto após sofrer ela mesma um distúrbio de tal natureza. Isso parece nos indicar que o ser humano, para que possa desenvolver sua solidariedade, deve primeiro incorrer numa desgraça.

Palavras fortes talvez, mas parece verdade. Hoje temos muitas iniciativas solidárias, desenvolvimento do terceiro setor, organizações consistentes mundo afora, mas que parecem, a maioria delas, ter aparecido depois que o perigo bateu à porta. Ampliando esse raciocínio para uma forma bem macroanalítica, algo me parece sinalizar que o sistema capitalista, tipicamente individualista, só dará lugar a um sistema mais cooperativo depois que uma grande desgraça global acontecer. E isso, evidentemente, não vai ser uma desgraça financeira, mas, no meu ver, uma desgraça ecológica, ou mesmo uma guerra nuclear, por exemplo. Várias desgraças já ocorreram, mas nenhuma global o suficiente para aterrorizar a humanidade inteira e forçar uma mudança de paradigma.

Será o ser humano indivualista por natureza? Creio que não. Sou adepto de uma visão na qual o ser humano tem faculdades potenciais. Ele pode pensar invidual ou coletivo, cabe saber a forma social que o condiciona de uma ou de outra forma. A forma capitalista da economia de trocas força um pensamento individualista, mas outras formas podem conduzir a um pensar coletivo. Ou mesmo o próprio pensamento coletivo pode levar ao desenvolvimento dessas faculdades na criação de um novo paradigma.

Esses foram alguns apontamentos apenas que me ocorreram nessa cabeça, mas gostaria muito de discutir isso, mas tentar chegar a algo mais conclusivo. Mas vamos pensar, um sistema cooperativo deve sua existência a, basicamente, um aspecto apenas: a tomada de decisão conjunta da sociedade em prol da defesa de sua própria sobrevivência, pois esse é o imperativo que, em teoria, deveria guiar todas as ações (o que não parece mais tão evidente hoje). Ainda creio que esse imperativo exista, mas está ofuscado. Vejam: ações solidárias existem, mas não estão acontecendo com a lógica intrínseca, nem de forma global, nem mesmo por agentes sociais heterogêneos o suficiente.

Esse desenvolvimento do comportamento solidário "reflexo" pode não ser o caminho para um novo paradigma, que cedo ou tarde emergirá, mas é preferível não esperar para ver a desgraça acontecer.

Acho que escrevi demais a palavra "desgraça". Vou colocá-la como marcador dessa postagem.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Knight$ in $atan $ervice

Aqui está um tema que eu adoro e que se resume a uma palavra pequena, simples, fácil de pronunciar, fácil de lembrar e, é claro, que gera controvérsias:

KISS

Existem aqueles loucos por demônios/ amedrontados de plantão/ causadores de controvérsias desnecessárias que tacham essa grande banda de rock n' roll nascida nos anos 70 de um grupo de cavaleiros demoníacos a serviço Dele: a nossa querida entidade superior do reino dos inferninhos onde se encontra um monte de gente interessante, de Jimi Hendrix a Tim Maia (ou será que esse último foi pra planície racional?)


Elocubrações a parte, o Kiss nada mais é do que uma grande iniciativa marqueteira de duas mentes capitalistas bastante oportunistas: Gene Simmons e Paul Stanley. Mais o primeiro que o segundo. Só para fazer aparecer a banda e torná-la conhecida, várias iniciativas foram postas em prática: contratar o The Who para abrir seu próprio show, utilizar uma pintura inusitada a uma maneira bastante peculiar de Glam Rock, criar um nome fácil de pregar na cabeça das pessoas e é claro: aprender a tocar os instrumentos. É fácil perceber que o próprio Gene não parece ter muita "familiaridade" com o baixo nos primeiros shows da banda. Seus incríveis solos se resumiam a uma performance que envolvia MUITO SUCO DE GROSELHA e pouca técnica. Na verdade, ele só tocava uma nota contínua: Mi.

Essa banda se tornou um dos maiores ícones do rock n' roll em sua formação original, que contava com os dois marqueteiros mais o dono da inovadora Gibson Les Paul de 3 captadores: Ace Frehley e o baterista com voz de blues man: Peter Criss. Inegavelmente muitas boas músicas foram produzidas durante essa carreira, mas claro, sem nunca deixar de lado o interesse nas verdinhas. Hoje, o Gene Simmons tem um programa na linha do The Osbournes, no qual ele é mostrado junto com sua família e seus inúmeros negócios. Dentre eles, as lojas de produtos do Kiss.

E quem diria! Eles estão aí de volta pra fazer rock n' roll! Todo mundo devia pensar que eles só iam fazer mais uns showzinhos mesmo e tal...Não, tem álbum novo na parada: e não é ruim. Sonic Boom vem para mostrar que a velharia marqueteira tá aí firme pra continuar ganhando dinheiro e fazendo rock! E eles foram espertos mais uma vez: fizeram um som característico de riffs marcantes, com uma presença gorda dos instrumentos, refrões grudentos e...nada de novo de fato, mas é bom mesmo assim. A estratégia é: continuar agradando os velhos ouvidos, que inclusive podem pagar um pouco mais para obter um material especial como box com gravações exclusivas ao vivo e tudo mais. E aí estão, os dois velhos marqueteiros e os dois "contratados": Tommy Thayer na guitarra e Eric Singer na bateria. Curioso o fato de estarem utilizando as mesmas pinturas do Ace e do Peter. Quando a banda passou por mudanças de formação, como na década de 80 com Vinnie Vincent e Eric Carr, suas pinturas eram diferentes daquelas dos membros originais. Talvez mais uma estratégia bem bolada?

Deixo o álbum pra quem quiser ouvir como contribuição dessa postagem! E espero ter alcançado o meu objetivo principal aqui que era provar que esses caras nada tem de satânicos. Eu acho o David Bowie muito mais estranho do que eles para falar a verdade, mas ele foi tachado de outras coisas que não satânico. Imagino o que essas pessoas achariam ao ouvir bandas como Brujeria.

Aqui está:

2009 - Kiss - Sonic Boom


http://sharebee.com/20322aa6


01 - Modern Day Delilah
02 - Russian Roulette
03 - Never Enough
04 - Yes I Know (Nobody's Perfect)
05 - Stand
06 - Hot and Cold
07 - All for the Glory
08 - Danger Us
09 - I'm an Animal
10 - When Lightning Strikes
11 - Say Yeah

Ao meu ver, o Kiss é uma banda que, musicalmente falando, melhorou com o tempo. Hoje até a voz do Gene me parece bem melhor (o que não significa que é ela boa!), mesmo ele estando mais velho. De todo modo, as músicas do início da carreira são as que eu acho mais interessantes, por causa dos solos de guitarra, da voz do Stanley e as vezes do Criss, etc. Resultado final: as melhores são as gravações mais recentes das músicas mais antigas!! Quanto ao álbum novo, de fato, não tentaram inovar. Até porque acho que poderia não representar um bom resultado (financeiro) para eles!

Mais do mesmo? Talvez. Rock n' Roll? Ainda e Sempre!

domingo, 15 de novembro de 2009

O problema da educação também é das elites


 Ah como é bom atualizar isso aqui, estava em falta! E agradeço a questão colocada pelo Lucas como uma idéia de postagem, que com certeza constitui um tema bastante amplo e complexo e que gera alguns desdobramentos interessantes.

Quando se fala em educação e no fato de que o Brasil enfrenta graves problemas com isso, a idéia que nos é remetida rapidamente é que o ensino público é a representação desses problemas. O descaso de alguns professores, os sérios problemas sociais que levam muitos a desistirem da escola ainda no seu nível básico, a falta de capacitação, recursos, metodologia avançada, enfim, muitos são os fatores (estruturais) que fazem a educação no Brasil ser um problema, e não uma solução, como foi em muitos países do outro lado do mundo, mas isso não vem ao caso agora.

A idéia é que felizmente esse problema é contornável, mas a longo prazo, evidentemente. Infelizmente, nunca pude perceber iniciativas educacionais de longo prazo nesse país, cujas diretrizes, desde que é país é: controlar os problemas quanto eles aparecem em suas circunstâncias específicas. O âmago da coisa nunca é discutido, trabalhado, nada.


Contudo, na verdade, essa não é a temática central dessa postagem.

"Se a educação pública no Brasil é ruim, eu pago um pouco mais agora para fazer um investimento na educação do meu filho: coloco ele numa escola particular para que depois ele faça universidade pública". Muitos já devem ter ouvido esse discurso, estou certo? No Brasil, a iniciativa privada na educação é tido como "padrão de qualidade", como "investimento de longo prazo" nos filhos. Basta ir às universidades públicas e medir o nível intelectual das pessoas. Certa vez ouvi uma frase que me marcou pra sempre: "não espere demais da universidade, o nível intelectual das pessoas não é maior". Independente da questão ser nível intelectual, amadurecimento, etc, não me parece que esse "investimento de longo prazo" dá resultados evidentes. Provavelmente muitos fazem suas carreiras a partir disso, mas não creio que esse padrão de qualidade seja tão significante assim.

Pois veja, a maioria das escolas privadas, num regime de competição TIPICAMENTE CAPITALISTA, se disputam para ver quem aprova MAIS, quem tem MAIS recursos tecnológicos, que tem MAIS espaço, etc. Ou seja, me parece que o padrão é puramente quantitativo. O aspecto qualitativo fica em segundo plano, o que é um contrasenso enorme, pois o motivo de existir educação é exatamente qualitativo!!! As empresas (sim, são empresas, é claro) deveriam no mínimo ter mérito pela busca de boa qualidade metodológica, bons professores capacitados, um sistema decidido a formar pessoas éticas e tudo, e não criar máquinas de fazer vestibular para enriquecer seus números, criando um círculo virtuoso para elas. E eu digo, somente para elas.

Essa discussão surgiu com a informação que o próprio Lucas me passou e que segue abaixo:

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=840130&page=116 (a segunda notícia)

Veja o ciclo expansivo de uma escola privada que compartilha de todos esses interesses capitalistas quantitativos e tudo mais aqui mencionados. Coloca-se a aquisição de uma escola com método e que provavelmente estimulam características mais interessantes do que a habilidade de fazer provas como por exemplo a criatividade. Vão "inovar" com um novo sistema de ensino especial, com MAIS recursos tecnológicos, MAIS espaço. E assim vai. Depois entrem no site da escola e vejam o que eles mesmo tem a dizer sobre isso. Me provoca algumas risadas internas de desespero.

Ficaria muito feliz com seu comentário Lucas, e de todos demais que possam comentar nessa postagem depois de um período ocioso!!

Mais postagem sobre esse tema educação ainda estão por vir..........

sábado, 17 de outubro de 2009

Glenn Hughes - The Voice of Rock


Não é um jogador de cricket, muito menos um membro do Village People!, mas aquele que o Álvaro Júnior, mencionado na postagem anterior, chama de "the voice of rock". Na verdade, nosso amigo tem fortes influências de Funk americano e deixa claro isso no seu estilo de Baixo, além é claro de sua voz magnífica. Mais conhecido por suas participações no Deep Purple e no Black Sabbath, o cara realmente tem o dom da voz. Tecnicamente magnífico, sabe gritar sem ser desagradável e solta a voz mais fina que você que quiser, mas quando é pra usar do seu estilo funk para cantar grave, sai tão bom quanto!

Ele é um daqueles caras que ouvia Motown quando era pequeno e ficou fascinado por música negra, sendo branco. Entre suas principais influências, segundo ele próprio, está até o Stevie Wonder! E como disse, ele deixa transparecer isso na sua música.

Essa postagem é para deixar uma contribuição bem razoável! Vou colocar aqui os três álbuns da primeira banda que adquiriu certo sucesso no início da década de 70 em que o Glenn é baixista e vocalista, além de trompetista, pianista, etc... Estou falando do Trapeze. Especial atenção para o terceiro álbum "You are the music, we are just the band", cujo título eu adoro. O conteúdo ainda é melhor, acreditem! É rock bom da década de 70...quase uma tautologia.

Trapeze - 1970 - Trapeze 



http://sharebee.com/7f372f34

 

Trapeze - 1970 - Medusa



http://sharebee.com/2de63f5a

 

Trapeze - 1972 - You are the Music... We're Just the Band


http://sharebee.com/da2f964a


Também posto o melhor álbum dele no Deep Purple, na minha opinião, na formação MKIII, com David Coverdale nos vocais principais. Tá, as vezes o Glenn deixa o David no chinelo (Só por que o David ia para os ensaios um pouco mais bêbado que os outros), mesmo sendo Back Vocal, mas a combinação dos seus agudos com a voz grave (e muito característica também) do Coverdale criam uma musicalidade ÚNICA na história do Rock n' Roll. Arrisco dizer que esse é um dos melhores álbuns de toda a história do Purple: Burn, 1974. Recomendo a todos assistirem o show "California Jam", da turnê do Burn. O Blackmore fica louquíssimo e quebra três stratos, como de praxe, e o show de vozes é excepcional. Claro que em Stormbringer, álbum posterior, o Glenn solta até mais seu lado funk, mas não acho que se equipare a qualidade musical do Burn, um álbum em que todas as músicas são ótimas, com destaque para You Fool No One, Lay Down Stay Down e a própria Burn. Prefiro não comentar sobre o "Come taste the band", álbum posterior ao Stormbringer, pois ele é bastante específico.

Deep Purple - 1974 - Burn
 

http://sharebee.com/197fc104


Posto também um dos mil projetos com outros caras, mas esse em especial é bem interessante: Glenn Hughes e Pat Thrall (trabalhou com Pat Travers, Meat Loaf...). Década de 80: entrou nela, pode saber que tem tecladinho.

Glenn Hughes & Pat Thrall - 1982 - Hughes Thrall



E por fim, posto também a participação do nosso amigo no Black Sabbath "featuring Tony Iommi". Na verdade, eu entendo isso como um projeto paralelo quase, hehe. Sinceramente, não vejo muito Black Sabbath nesse álbum não, mas vale a pena ouvir pra perceber que o Glenn não perdeu a voz nesse meio tempo! Ah, o álbum é o Seventh Star.

Black Sabbath featuring Tony Iommi - 1986 - Seventh Star 


http://sharebee.com/9e3a9b5e


Claro que estou postando apenas algumas pérolas. A discografia do indivíduo é gigantesca, inclusive solo, mas o que impressiona é a quantidade de outros artistas com quem ele trabalhou. É um número gigantesco de participações em álbuns. A probabilidade de você pegar qualquer álbum de rock e ter o Glenn Hughes ali atrás em alguma coisa é bem grande hehe

Infelizmente, como muitos outros roqueiros, o Glenn passou por uma fase de péssima saúde em decorrência de excessos de drogas e álcool. Mas uma coisa pior aconteceu depois, ele gravou um hit com uma banda de Techno/House pra voltar a fazer sucesso.

Hoje ele está aí, mais velho, mas cantando coisas que gosta, em muitos projetos diferentes, supergrupos, bandas de blues, funk... tocando baixo e cantando como é sua imagem característica! E, convenhamos.




O cara não perdeu nada da voz. É definitivamente admirável.

Bom, ouçam, aproveitem e viva o Rock n' Roll!