terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Propaganda Política Virtual: em busca de uma opinião concreta


Ótimo assunto para se escrever quando não se está de muito bom humor: Propaganda Política.

Odeio, com todas as minhas forças. E às vezes me faz rir, de desgosto, talvez.

Na verdade, era para ser algo totalmente desnecessário, afinal, um representante da sociedade deveria receber votos a partir dos seus próprios méritos: da capacidade de intervenção em prol de um interesse coletivo, e não individual, da iniciativa e, claro, da popularidade, mas, digamos, de modo que ela seja construída com ações concretas e não com discursos demagogos.

Infelizmente e nosso país tem problemas SERÍSSIMOS nesse quesito. Via de regra, a enorme quantidade de escândalos gerada por meio de rixas políticas por meio de propagandas eleitorais gera, ao cabo, uma eleição de um determinado candidato que chegou ao posto muito menos pelos seus méritos e muito mais pela capacidade retórica/demagógica de convencer as pessoas a dedicarem seus momentos de democracia ao indivíduo, às vezes, com alguns incentivos a mais, de âmbito monetário, se é que vocês me entendem. Claro que existem exceções, mas a regra funciona mais ou menos assim.

Então, esse é mais um aspecto da superestrutura da sociedade capitalista que segue a velha lógica individualista, afinal, a carreira de um político parece estar muito mais associada aos recursos que esse move para a sua campanha (e os lobbies, propinas e escândalos representam alguns custos necessários para a empreitada), de modo a usufruir dos benefícios de ser eleito do que a uma representação social de fato. De novo, lembro que existem exceções e que, de fato, a política no seu sentido social existe aqui e em todo o resto do mundo, mas gostaria de ressaltar que também o âmbito político está dentro de uma esfera maior, a lógica capitalista, tema que venho tentando abordar sempre nesse blog. Mais distorções, mais contradições...

Em outras palavras, atento para que os políticos não são seres externos altamente corruptíveis pelo poder, que agem sempre de uma forma individualista e inescrupulosa por serem...políticos. Não, eles ainda são representantes sociais e, por isso mesmo refletem um caráter social da nossa sociedade! Portanto não coloquemos a culpa de nada neles pois toda a carniça está no âmago da lógica que resolvemos adotar para as nossas vidas. 

O marketing também é uma coisa que surgiu com o capitalismo, devido a necessidade de divulgar as mercadorias e provocar consumo exagerado das grandes massas, visando, é claro, money money money. E aí temos uma linha tênue entre política e marketing...pessoal. Peraí, marketing pessoal para algo intrinsecamente social?

E que ***** ... Afinal, agora vão utilizar o meio virtual também para fazer propaganda política.


Se tem uma coisa que surgiu no sistema capitalista, mas que, intrinsecamente, me parece desprovido de uma lógica relacionada ao lucro individualista, apesar de ter sido criada no bojo de empresas que com certeza ganham muito dinheiro com isso...é a Internet. Existem muitas coisas que podem ser feitas no meio virtual que não precisam de dinheiro e, por isso, eu de fato acredito bastante no potencial da internet para uma inversão de paradigma no futuro. Mas é claro que sempre se arruma um jeito de usufruir desse meio para interesses individuais, marqueteiros, bla bla bla. E é isso que vai acontecer agora com a propaganda eleitoral.

¨%*&*%&*$%&... O Dep. João Bittar tá me seguindo no Twitter, pronto falei. É isso que me gerou raiva suficiente para fazer essa postagem, puto da vida, afinal se escancarou o fato de que agora teremos que aguentar propaganda eleitoral na internet.

PORQUE DIABOS aquele salafrário aproveitador de lares de idosos para conseguir votos* está ME seguindo no Twitter? Estou começando a achar que estão me considerando subversivo! Vão me considerar mesmo se verem isso aqui. Bom, estou usando a Internet para exercer liberdade de expressão.

*Tenho informações e depoimentos concretos que provam isso.

Essa postagem tem um intuito especial, além de desabafar. Saber a opinião de mais pessoas sobre propaganda eleitoral na internet. Pra mim vai ser um saco ter que aguentar isso aqui também.

O voto nulo significa descontentamento perante os candidatos existentes. Lembrem-se disso.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Solidariedade ofuscada: qual a natureza do comportamento humano?

Estranho o título dessa postagem? Mais estranha é a inspiração que tive para fazer essa postagem.

Esses dias, de passagem pela televisão, percebi que o Manoel Carlos tem finalizado todos os episódios da sua atual "novela das 8" de uma forma peculiar: com "depoimentos de superação". Apesar de não acompanhar novelas e não ter apreço algum por elas, esses depoimentos me fizeram pensar uma coisa. Atento não para aqueles que falam de doenças ou superação pessoal, mas aqueles que tratam de solidariedade.

Reparei que, por mais louváveis que fossem as atitudes daqueles que aparecem falando de iniciativas solidárias consistentes, a maioria, senão todos eles partiram para perseguir esses projetos depois que alguma desgraça tivesse incorrido na vida deles. Um exemplo: uma pessoa que se tornou cientista social que trabalha em prol das pessoas com distúrbio alimentar que passou a perseguir o projeto após sofrer ela mesma um distúrbio de tal natureza. Isso parece nos indicar que o ser humano, para que possa desenvolver sua solidariedade, deve primeiro incorrer numa desgraça.

Palavras fortes talvez, mas parece verdade. Hoje temos muitas iniciativas solidárias, desenvolvimento do terceiro setor, organizações consistentes mundo afora, mas que parecem, a maioria delas, ter aparecido depois que o perigo bateu à porta. Ampliando esse raciocínio para uma forma bem macroanalítica, algo me parece sinalizar que o sistema capitalista, tipicamente individualista, só dará lugar a um sistema mais cooperativo depois que uma grande desgraça global acontecer. E isso, evidentemente, não vai ser uma desgraça financeira, mas, no meu ver, uma desgraça ecológica, ou mesmo uma guerra nuclear, por exemplo. Várias desgraças já ocorreram, mas nenhuma global o suficiente para aterrorizar a humanidade inteira e forçar uma mudança de paradigma.

Será o ser humano indivualista por natureza? Creio que não. Sou adepto de uma visão na qual o ser humano tem faculdades potenciais. Ele pode pensar invidual ou coletivo, cabe saber a forma social que o condiciona de uma ou de outra forma. A forma capitalista da economia de trocas força um pensamento individualista, mas outras formas podem conduzir a um pensar coletivo. Ou mesmo o próprio pensamento coletivo pode levar ao desenvolvimento dessas faculdades na criação de um novo paradigma.

Esses foram alguns apontamentos apenas que me ocorreram nessa cabeça, mas gostaria muito de discutir isso, mas tentar chegar a algo mais conclusivo. Mas vamos pensar, um sistema cooperativo deve sua existência a, basicamente, um aspecto apenas: a tomada de decisão conjunta da sociedade em prol da defesa de sua própria sobrevivência, pois esse é o imperativo que, em teoria, deveria guiar todas as ações (o que não parece mais tão evidente hoje). Ainda creio que esse imperativo exista, mas está ofuscado. Vejam: ações solidárias existem, mas não estão acontecendo com a lógica intrínseca, nem de forma global, nem mesmo por agentes sociais heterogêneos o suficiente.

Esse desenvolvimento do comportamento solidário "reflexo" pode não ser o caminho para um novo paradigma, que cedo ou tarde emergirá, mas é preferível não esperar para ver a desgraça acontecer.

Acho que escrevi demais a palavra "desgraça". Vou colocá-la como marcador dessa postagem.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Knight$ in $atan $ervice

Aqui está um tema que eu adoro e que se resume a uma palavra pequena, simples, fácil de pronunciar, fácil de lembrar e, é claro, que gera controvérsias:

KISS

Existem aqueles loucos por demônios/ amedrontados de plantão/ causadores de controvérsias desnecessárias que tacham essa grande banda de rock n' roll nascida nos anos 70 de um grupo de cavaleiros demoníacos a serviço Dele: a nossa querida entidade superior do reino dos inferninhos onde se encontra um monte de gente interessante, de Jimi Hendrix a Tim Maia (ou será que esse último foi pra planície racional?)


Elocubrações a parte, o Kiss nada mais é do que uma grande iniciativa marqueteira de duas mentes capitalistas bastante oportunistas: Gene Simmons e Paul Stanley. Mais o primeiro que o segundo. Só para fazer aparecer a banda e torná-la conhecida, várias iniciativas foram postas em prática: contratar o The Who para abrir seu próprio show, utilizar uma pintura inusitada a uma maneira bastante peculiar de Glam Rock, criar um nome fácil de pregar na cabeça das pessoas e é claro: aprender a tocar os instrumentos. É fácil perceber que o próprio Gene não parece ter muita "familiaridade" com o baixo nos primeiros shows da banda. Seus incríveis solos se resumiam a uma performance que envolvia MUITO SUCO DE GROSELHA e pouca técnica. Na verdade, ele só tocava uma nota contínua: Mi.

Essa banda se tornou um dos maiores ícones do rock n' roll em sua formação original, que contava com os dois marqueteiros mais o dono da inovadora Gibson Les Paul de 3 captadores: Ace Frehley e o baterista com voz de blues man: Peter Criss. Inegavelmente muitas boas músicas foram produzidas durante essa carreira, mas claro, sem nunca deixar de lado o interesse nas verdinhas. Hoje, o Gene Simmons tem um programa na linha do The Osbournes, no qual ele é mostrado junto com sua família e seus inúmeros negócios. Dentre eles, as lojas de produtos do Kiss.

E quem diria! Eles estão aí de volta pra fazer rock n' roll! Todo mundo devia pensar que eles só iam fazer mais uns showzinhos mesmo e tal...Não, tem álbum novo na parada: e não é ruim. Sonic Boom vem para mostrar que a velharia marqueteira tá aí firme pra continuar ganhando dinheiro e fazendo rock! E eles foram espertos mais uma vez: fizeram um som característico de riffs marcantes, com uma presença gorda dos instrumentos, refrões grudentos e...nada de novo de fato, mas é bom mesmo assim. A estratégia é: continuar agradando os velhos ouvidos, que inclusive podem pagar um pouco mais para obter um material especial como box com gravações exclusivas ao vivo e tudo mais. E aí estão, os dois velhos marqueteiros e os dois "contratados": Tommy Thayer na guitarra e Eric Singer na bateria. Curioso o fato de estarem utilizando as mesmas pinturas do Ace e do Peter. Quando a banda passou por mudanças de formação, como na década de 80 com Vinnie Vincent e Eric Carr, suas pinturas eram diferentes daquelas dos membros originais. Talvez mais uma estratégia bem bolada?

Deixo o álbum pra quem quiser ouvir como contribuição dessa postagem! E espero ter alcançado o meu objetivo principal aqui que era provar que esses caras nada tem de satânicos. Eu acho o David Bowie muito mais estranho do que eles para falar a verdade, mas ele foi tachado de outras coisas que não satânico. Imagino o que essas pessoas achariam ao ouvir bandas como Brujeria.

Aqui está:

2009 - Kiss - Sonic Boom


http://sharebee.com/20322aa6


01 - Modern Day Delilah
02 - Russian Roulette
03 - Never Enough
04 - Yes I Know (Nobody's Perfect)
05 - Stand
06 - Hot and Cold
07 - All for the Glory
08 - Danger Us
09 - I'm an Animal
10 - When Lightning Strikes
11 - Say Yeah

Ao meu ver, o Kiss é uma banda que, musicalmente falando, melhorou com o tempo. Hoje até a voz do Gene me parece bem melhor (o que não significa que é ela boa!), mesmo ele estando mais velho. De todo modo, as músicas do início da carreira são as que eu acho mais interessantes, por causa dos solos de guitarra, da voz do Stanley e as vezes do Criss, etc. Resultado final: as melhores são as gravações mais recentes das músicas mais antigas!! Quanto ao álbum novo, de fato, não tentaram inovar. Até porque acho que poderia não representar um bom resultado (financeiro) para eles!

Mais do mesmo? Talvez. Rock n' Roll? Ainda e Sempre!

domingo, 15 de novembro de 2009

O problema da educação também é das elites


 Ah como é bom atualizar isso aqui, estava em falta! E agradeço a questão colocada pelo Lucas como uma idéia de postagem, que com certeza constitui um tema bastante amplo e complexo e que gera alguns desdobramentos interessantes.

Quando se fala em educação e no fato de que o Brasil enfrenta graves problemas com isso, a idéia que nos é remetida rapidamente é que o ensino público é a representação desses problemas. O descaso de alguns professores, os sérios problemas sociais que levam muitos a desistirem da escola ainda no seu nível básico, a falta de capacitação, recursos, metodologia avançada, enfim, muitos são os fatores (estruturais) que fazem a educação no Brasil ser um problema, e não uma solução, como foi em muitos países do outro lado do mundo, mas isso não vem ao caso agora.

A idéia é que felizmente esse problema é contornável, mas a longo prazo, evidentemente. Infelizmente, nunca pude perceber iniciativas educacionais de longo prazo nesse país, cujas diretrizes, desde que é país é: controlar os problemas quanto eles aparecem em suas circunstâncias específicas. O âmago da coisa nunca é discutido, trabalhado, nada.


Contudo, na verdade, essa não é a temática central dessa postagem.

"Se a educação pública no Brasil é ruim, eu pago um pouco mais agora para fazer um investimento na educação do meu filho: coloco ele numa escola particular para que depois ele faça universidade pública". Muitos já devem ter ouvido esse discurso, estou certo? No Brasil, a iniciativa privada na educação é tido como "padrão de qualidade", como "investimento de longo prazo" nos filhos. Basta ir às universidades públicas e medir o nível intelectual das pessoas. Certa vez ouvi uma frase que me marcou pra sempre: "não espere demais da universidade, o nível intelectual das pessoas não é maior". Independente da questão ser nível intelectual, amadurecimento, etc, não me parece que esse "investimento de longo prazo" dá resultados evidentes. Provavelmente muitos fazem suas carreiras a partir disso, mas não creio que esse padrão de qualidade seja tão significante assim.

Pois veja, a maioria das escolas privadas, num regime de competição TIPICAMENTE CAPITALISTA, se disputam para ver quem aprova MAIS, quem tem MAIS recursos tecnológicos, que tem MAIS espaço, etc. Ou seja, me parece que o padrão é puramente quantitativo. O aspecto qualitativo fica em segundo plano, o que é um contrasenso enorme, pois o motivo de existir educação é exatamente qualitativo!!! As empresas (sim, são empresas, é claro) deveriam no mínimo ter mérito pela busca de boa qualidade metodológica, bons professores capacitados, um sistema decidido a formar pessoas éticas e tudo, e não criar máquinas de fazer vestibular para enriquecer seus números, criando um círculo virtuoso para elas. E eu digo, somente para elas.

Essa discussão surgiu com a informação que o próprio Lucas me passou e que segue abaixo:

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=840130&page=116 (a segunda notícia)

Veja o ciclo expansivo de uma escola privada que compartilha de todos esses interesses capitalistas quantitativos e tudo mais aqui mencionados. Coloca-se a aquisição de uma escola com método e que provavelmente estimulam características mais interessantes do que a habilidade de fazer provas como por exemplo a criatividade. Vão "inovar" com um novo sistema de ensino especial, com MAIS recursos tecnológicos, MAIS espaço. E assim vai. Depois entrem no site da escola e vejam o que eles mesmo tem a dizer sobre isso. Me provoca algumas risadas internas de desespero.

Ficaria muito feliz com seu comentário Lucas, e de todos demais que possam comentar nessa postagem depois de um período ocioso!!

Mais postagem sobre esse tema educação ainda estão por vir..........

sábado, 17 de outubro de 2009

Glenn Hughes - The Voice of Rock


Não é um jogador de cricket, muito menos um membro do Village People!, mas aquele que o Álvaro Júnior, mencionado na postagem anterior, chama de "the voice of rock". Na verdade, nosso amigo tem fortes influências de Funk americano e deixa claro isso no seu estilo de Baixo, além é claro de sua voz magnífica. Mais conhecido por suas participações no Deep Purple e no Black Sabbath, o cara realmente tem o dom da voz. Tecnicamente magnífico, sabe gritar sem ser desagradável e solta a voz mais fina que você que quiser, mas quando é pra usar do seu estilo funk para cantar grave, sai tão bom quanto!

Ele é um daqueles caras que ouvia Motown quando era pequeno e ficou fascinado por música negra, sendo branco. Entre suas principais influências, segundo ele próprio, está até o Stevie Wonder! E como disse, ele deixa transparecer isso na sua música.

Essa postagem é para deixar uma contribuição bem razoável! Vou colocar aqui os três álbuns da primeira banda que adquiriu certo sucesso no início da década de 70 em que o Glenn é baixista e vocalista, além de trompetista, pianista, etc... Estou falando do Trapeze. Especial atenção para o terceiro álbum "You are the music, we are just the band", cujo título eu adoro. O conteúdo ainda é melhor, acreditem! É rock bom da década de 70...quase uma tautologia.

Trapeze - 1970 - Trapeze 



http://sharebee.com/7f372f34

 

Trapeze - 1970 - Medusa



http://sharebee.com/2de63f5a

 

Trapeze - 1972 - You are the Music... We're Just the Band


http://sharebee.com/da2f964a


Também posto o melhor álbum dele no Deep Purple, na minha opinião, na formação MKIII, com David Coverdale nos vocais principais. Tá, as vezes o Glenn deixa o David no chinelo (Só por que o David ia para os ensaios um pouco mais bêbado que os outros), mesmo sendo Back Vocal, mas a combinação dos seus agudos com a voz grave (e muito característica também) do Coverdale criam uma musicalidade ÚNICA na história do Rock n' Roll. Arrisco dizer que esse é um dos melhores álbuns de toda a história do Purple: Burn, 1974. Recomendo a todos assistirem o show "California Jam", da turnê do Burn. O Blackmore fica louquíssimo e quebra três stratos, como de praxe, e o show de vozes é excepcional. Claro que em Stormbringer, álbum posterior, o Glenn solta até mais seu lado funk, mas não acho que se equipare a qualidade musical do Burn, um álbum em que todas as músicas são ótimas, com destaque para You Fool No One, Lay Down Stay Down e a própria Burn. Prefiro não comentar sobre o "Come taste the band", álbum posterior ao Stormbringer, pois ele é bastante específico.

Deep Purple - 1974 - Burn
 

http://sharebee.com/197fc104


Posto também um dos mil projetos com outros caras, mas esse em especial é bem interessante: Glenn Hughes e Pat Thrall (trabalhou com Pat Travers, Meat Loaf...). Década de 80: entrou nela, pode saber que tem tecladinho.

Glenn Hughes & Pat Thrall - 1982 - Hughes Thrall



E por fim, posto também a participação do nosso amigo no Black Sabbath "featuring Tony Iommi". Na verdade, eu entendo isso como um projeto paralelo quase, hehe. Sinceramente, não vejo muito Black Sabbath nesse álbum não, mas vale a pena ouvir pra perceber que o Glenn não perdeu a voz nesse meio tempo! Ah, o álbum é o Seventh Star.

Black Sabbath featuring Tony Iommi - 1986 - Seventh Star 


http://sharebee.com/9e3a9b5e


Claro que estou postando apenas algumas pérolas. A discografia do indivíduo é gigantesca, inclusive solo, mas o que impressiona é a quantidade de outros artistas com quem ele trabalhou. É um número gigantesco de participações em álbuns. A probabilidade de você pegar qualquer álbum de rock e ter o Glenn Hughes ali atrás em alguma coisa é bem grande hehe

Infelizmente, como muitos outros roqueiros, o Glenn passou por uma fase de péssima saúde em decorrência de excessos de drogas e álcool. Mas uma coisa pior aconteceu depois, ele gravou um hit com uma banda de Techno/House pra voltar a fazer sucesso.

Hoje ele está aí, mais velho, mas cantando coisas que gosta, em muitos projetos diferentes, supergrupos, bandas de blues, funk... tocando baixo e cantando como é sua imagem característica! E, convenhamos.




O cara não perdeu nada da voz. É definitivamente admirável.

Bom, ouçam, aproveitem e viva o Rock n' Roll!

domingo, 27 de setembro de 2009

The Room Full of Mirrors



Essa postagem é antes de mais nada e como vocês já devem estar acostumados, uma divulgação. Mas dessa vez com uma pitada de homenagem!

Em primeiro lugar gostaria de agradecer diretamente ao Maico e indiretamente ao Rainer por ter achado isso aqui no YouTube (maravilha da humanidade):

http://www.youtube.com/watch?v=SypIOVtsaaQ&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=L5jBBGDrhIs&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=HNIYNJdMu2M&feature=related

Essas são as três partes de uma entrevista com um grande amigo: Álvaro Júnior, no programa Ladeira Metálica, apresentado pelo Lu de Laurentiz, nome muito conhecido para quem faz parte do ambiente universitário! A entrevista é boa, mas os comentários peculiares do Álvaro é que a torna interessante!

Quem o conhece sabe que todas essas coisas que ele diz na entrevista, nós já ouvimos no decorrer de muitos programas frequentados lá no bloco 1S do campus Santa Mônica! E claro, nós todos "Gostamos Muito"! Para quem não conhece, sintonize a rádio universitária (107.5) ou entre pelo site www.universitariafm.ufu.br para ouvir pela Internet, nos Sábados das 18h00 às 20h00 para ouvir a maravilhosa "Sala dos Espelhos", o Rock N' Roll show que já tem 19 anos nas costas!

Esse é pra quem gosta de Rock, em todas as suas vertentes...o Blues que lhe deu origem, o Blues que dele foi originado, as misturas eruditas do Jazz Fusion, o Rock Progressivo, Psicodélico, o que tocava nas décadas de 50, 60, 70, 80, 90 e até hoje, pois o Álvaro sempre acha coisas boas em todas as épocas!

Mas o principal é a energia boa de frequentar o programa pessoalmente. São várias pessoas de realidades totalmente diversas reunidas por um só motivo: o Rock n' Roll. E como é bom saber que existem esses recônditos!

Convido a todos para aparecer lá quando der. Tenho certeza que vocês irão gostar, pois sei que mesmo algumas pessoas não tão familiarizadas com rock gostam de frequentar! É uma atmosfera simples e ao mesmo tempo muito interessante! E acho que a pessoa que cria esse clima legal e atrai todas essas pessoas pelo motivo nobre de conversar e ouvir rock n' roll merece todas homenagens, e a nossa admiração! Meus enormes agradecimentos ao sábio Físico, por todos os seus ensinamentos musicais, humanos, divertidos, engrandecedores... poderia ficar aqui fornecendo adjetivos por muito tempo!

E viva o Rock n' Roll show...estaremos aí por muito tempo ainda!




Por Wagner Faria de Oliveira, ouvindo "Lucifer's Friend - Where the Groupies Killed the Blues - 1972 - som descoberto na Sala dos Espelhos"

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A tênue linha entre Pirataria e Cultura Livre

Queria antes de mais nada deixar claro que eu não estou pirateando nenhuma postagem. Me certifiquei de que ninguém da Warner, da Fox ou da Som Livre (quanta ironia nesse nome) havia feito essa postagem anteriormente. Portanto, eu tento garantir a originalidade do que escrevo aqui.

Mas apesar disso posto downloads de música aqui. E não vou deixar de fazer isso tão cedo. Nem muito menos vou parar de fazer downloads, pois como me disse certa vez um professor: download é uma criação divina.

Pirataria é um tema polêmico. Eu tenho a impressão que as pessoas adoram ver notícias no jornal dizendo que não sei quantas cópias de não sei o que foram apreendidas, queimadas, destruídas, etc. Eu quando vejo esse tipo de coisa tento pensar no que está por trás. Convido a todos realizarem o mesmo exercício.

Porque existe Pirataria? Ao meu modo de ver, ela só existe porque antes dela existe outra coisa chamada Indústria Cultural. Adorno e Horkheimer, dois sociólogos muito importantes descreveram bem o processo pelo qual esse conceito substituiu a idéia de cultura popular e cultura erudita. Hoje é tudo comércio. E ponto.

Como tudo no nosso lindo e harmonioso sistema capitalista, a cultura passou a ser regulada pela lógica individualista do dinheiro e do lucro a qualquer custo. Portanto, custa (e em alguns casos, muito) ter acesso a cultura, aos discos da banda que você gosta, aos filmes que você vê no cinema, entre outros. A cultura de massa então fabricada fica restrita aos que podem pagar. E essa é a tendência que veio acompanhando o mundo até... até hoje na verdade, mas uma determinada inovação tecnológica pareceu abalar essa estrutura.

Sim, essa que eu estou utilizando agora: a Internet. Coisa linda de Deus.

Dela veio o download. E então a mídia começou a se espalhar pela rede de uma forma absurda. Todos devem saber que você acha praticamente O QUE VOCÊ QUISER nessa geringonça. Desde discos do Captain Beyond até receitas de torta de morango, passando por informativos sobre o cruzamento entre ornitorrincos e peixes-boi no norte da Papua Nova Guiné.

E sim, agora ao invés de pagar pra ir no cinema ou pra ter um disco original, muitas pessoas simplesmente baixam da Internet. E o que há de mais nisso? Cultura Livre, pessoas trocando figurinhas virtualmente!! Uma socialização internacional inimaginável anteriormente. Inclusive eu tenho minhas viagens mentais que chegam a indagar se seria possível a revolução comunista por meio da Internet, mas isso é outra discussão.

Como era de se esperar, e como tudo no mundo são interesses, os caras que ganhavam (e continuam ganhando) dinheiro com suas mega empresas dentre gravadoras e estúdios, tinham que defender seus lucros, tachando o download como uma forma de pirataria, além das outras existentes, no âmbito da cópia propriamente dita sem pagamento de direitos autorais. Tá, e nós somos bombardeados com a visão de que pirataria é desordem, é contra o sistema, é ilegal, bla bla bla. Nessa lógica em que vivemos é mesmo, e o download não foge à regra. E aí...tadinho do cara que produz a música e esse é o seu ganha-pão e tudo mais.

Mas aí está o cerne da questão. Pessoas produzem cultura com o FIM de ganhar dinheiro. Ele não é apenas uma consequência, ele é o incentivo que mexe com a cabeça de nós reles seres humanos para produzir produzir produzir. E produzir cultura como não poderia ser diferente. A lógica do lucro corrompe a cultura e agora tacha os que fogem dessa lógica de CRIMINOSOS. Pra mim CRIME é restringir a cultura por meio do dinheiro. E sou partidário de todo tipo de divulgação de cultura livre, sem interesses marqueteiros, além de todas as manifestações culturais não vinculadas a esse tipo de lógica. Infelizmente eu também gosto de muita música e cinema que está totalmente embebido nessa máquina e, portanto, corrompo, cometo crimes quase todos os dias. Faço downloads.

Afunilando a discussão. Tá na hora da seção 'divulgação de mídia' do blog. Para os que não conhecem (e não devem ser muitos), apresento a vocês a comunidade do Orkut - DISCOGRAFIAS.

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=6244330

Lá você acha muito link para download de música. Todos os tipos de música. Fuçem à vontade, tem direito a índice geral por letras e bandas, além de trilhas sonoras. Enfim, muita coisa. E eu admiro e reverencio milhões de vezes o cara que criou essa comunidade e teve todo o trabalho de organizar a coisa.

Pergunta: porque a comunidade chama "Discografias - A Ressureição". Exatamente, ela já morreu uma vez. E agora que entra o tema da fotinha: APCM. A Associação Antipirataria Cinema e Música, órgão nacional responsável pelo combate à Pirataria (e logicamente, responsável institucional pela defesa dos grandes coitadinhos conglomerados industriais da cultura - as gravadoras e afins), várias vezes tentou por um fim na comunidade. Até que conseguiu.

Grande coisa. No outro dia já tinham criado a discografias - o retorno e todo mundo começou a recolocar os links. Foi uma manifestação generalizada no Orkut, me lembro muito bem do dia. No fórum era uma postagem por segundo praticamente. As pessoas se juntaram para revitalizar essa coisa linda de Deus. E conseguiram. E tão ai moendo. E eu continuo baixando horrores e também contribuindo com alguns Uploads. Não adianta, a Internet tem algumas especificidades enquanto meio de comunicação que a diferenciam dos demais. Infelizmente, ainda não é generalizado para todas as classes sociais, pois afinal está vinculado também à lógica do dinheiro, uma vez que você precisa pagar para ter acesso, pagar para ter um computador, pagar para ir a lan house, etc. Digo isso por que os meios de comunicação de massa a que a maioria das pessoas confia e pode ter acesso estão já corrompidos: rádio, TV, mídia impressa.

Sugiro que procurem na comunidade pelos tópicos de discussão sobre a APCM. De vez em quando aparecem coisas muito interessantes, e esse tema exige de fato muito conhecimento e interesse, pois, como digo várias vezes, precisamos juntar forças para manter a Internet como o meio de comunicação ainda LIVRE. O que não significa que muitas pessoas a utilizam como meio de exercer poder e ganhar dinheiro, como tudo no capitalismo. Mas continua livre. No entanto, se não mantivermos organização exemplar e força pra discutir e brigar, vai se tornar restritivo e vinculado aos interesses do capital.

Pra terminar essa postagem queria lembrar todos vocês de uma persona: o ex governador do nosso estado de Minas Gerais: Eduardo Azeredo. Ele próprio já lançou n projetos de lei e afins para tentar criar restrições sobre a Internet (e engraçado, também tem liderado algumas iniciativas perniciosas sobre a reforma eleitoral, cujo relator é o próprio).

Deixo duas notícias para vocês:

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/9/13/internet-e-televisao/?searchterm=azeredo

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/9/4/a-internet-sob-censura/?searchterm=azeredo

Claro que é sempre bom lembrar que muita gente usa mal a Internet, como postei anteriormente sobre a Vanusa, além dos casos de pedofilia, prostituição de menores, etc. Mas aí vejo a criminalidade virtual como um desdobramento da criminalidade em si e, portanto, não é motivo que justifica restringir o meio de comunicação, mas apenas reforça a idéia de que precisamos de soluções estruturais para problemas que são estruturais.

Não adianta soprar nem mesmo jogar água. Tem que dar um jeito no material inflamável.