quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pensando na Margem...

Abril de 2007, Uberlândia-MG.

Aula de Introdução à Economia com a professora Ana Paula.

Capítulo introdutório do livro do Gregory Mankiw de Introdução à Economia. Xerocado.

O neófito Wagner abre e percebe que o capítulo trata dos "Dez princípios básicos de Economia", lê, e acha tudo bem...plausível! Afinal, são apenas considerações gerais sobre como as pessoas se comportam, certo?

Agora, o não mais neófito...que dizer, ainda neófito Wagner resolve reler os dez princípios! E adivinha o que aconteceu? Isso mesmo, as conclusões foram diferentes. Mas é claro que foram diferentes, já dizia Heráclito de Éfeso: um homem nunca pisa no mesmo rio duas vezes, porque as águas não são as mesmas, nem o homem é o mesmo!

A diferença entre o neófito Wagner e o "um pouco menos neófito" Wagner é que o segundo está atualmente fascinado por estudar Filosofia Moral. E isso abre a cabeça pra muita coisa.

Vamos focar no princípio três por enquanto: "pessoas racionais pensam na margem". Na época, nenhuma pergunta, mas hoje me surgiram algumas. Primeiro: o que é uma pessoa racional? Segundo: porque que pensar na margem é algo racional, enquanto que, logicamente, não pensar na margem seria...irracional?

Margem, margem, marginal, marginal...........ismo! Revolução marginalista, fins do século XIX, responsável pela criação do chamado "Economics" (no lugar da Economia Política). Esse princípio nada mais é do que um pressuposto sobre o comportamento humano cunhado por esses caras, reconhecidos por incluir cálculo diferencial nas análises econômicas e criar o que até hoje é tido como mainstream.

A Física é uma ciência encantadora, eu já dizia na postagem anterior. E já era na época desses caras! Eles devem ter olhado pra Física Newtoniana, com aquela quantidade enorme de explicações que eram dadas aos fenômenos e dito: nossa, que bonito, precisamos fazer igual! E fizeram, pegaram emprestado o método deles e trouxeram para a Economia!

Mas peraí, pra gente poder fazer com que o cara maximize a utilidade e que isso dependa de uma relação custo-benefício que é marginal, a gente precisa...
que os caras pensem na margem!

Aí isso aí a gente chama de racional, porque Economia é uma ciência, e só pode lidar com o racional!

Onde eu quero chegar com essa digressão estúpida? A um problema de causalidade.

Afinal, o ser humano pensa na margem e por isso a Ciência Econômica responde a isso incorporando tal fundamento do comportamento humano? Ou será que esse pressuposto foi adotado pra que fosse possível utilizar cálculo pra fazer análises econômicas?

Veja bem, não estou condenando o uso do cálculo. Só acho interessante considerar se não padecemos nesta ciência de uma dependência equivocada do instrumental matemático. O próprio nome diz: instrumental! Herbert Simon nos chama atenção pra esse fato quando diz que a programação linear exigiu que houvesse um pressuposto de racionalidade limitada sobre o indivíduo. O utilitarismo é um tipo de filosofia moral que veio muito bem a calhar com as necessidades de se simplificar o indivíduo ao máximo para poder utilizar o cálculo.

Hoje em dia a matemática avançou, a Física avançou, mas o utilitarismo ainda impera na Economia. Como diz Mankiw "as pessoas tomam decisões por meio de comparação de custos e benefícios". Será que o ser humano é só isso?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Ortodoxia... só que ao contrário.


Começo essa postagem com uma contribuição etimológica. A Etimologia é uma ciência extremamente importante para desfazer certos mal-entendidos e evitar outros. Todo economista, em particular, deveria consulta o significado histórico de algumas palavras antes de utilizá-las.

Vamos lá, me arriscando a partir de uma breve pesquisa virtual...

Ortodoxia = do grego Ortho + Doxus, "ortho" significando aquilo que é preciso, correto, exato e "doxus" significando opinião, mas também podendo ter significado de ensino. Basicamente o ortodoxo seria "aquele que possui a opinião correta". Isso no sentido original.

A palavra ortodoxo no português está ligada a "conformidade absoluta com um certo padrão, norma ou dogma" segundo o wikcionário. Um exemplo que pode elucidar o significado é o da Igreja Ortodoxa, que diz-se seguir rigorosamente os dogmas originais cristãos, sem ter sofrido modificações ou concessões. Seriam eles os portadores da visão "correta", mas correta no sentido de mais próxima à "original", sem entrar em juízo de valor.

Em Economia, ortodoxia está ligada ao mainstream economics, a chamada corrente teórica convencional, a mais amplamente aceita nos debates internacionalmente, cujas raízes estão na revolução marginalista do século XIX, mas isso é história pra outra postagem. Inclusive depois acho que a gente podia fazer uma força tarefa pra dar uma melhorada em algumas páginas do wikipedia sobre Economia, que considero estarem fracas, com pouco conteúdo, e às vezes, viesadas.

Tá, a pergunta que eu me fiz outro dia é porque essa corrente é chamada de "ortodoxa". Será que essa denominação não teria sido dada exatamente pelos críticos a ela?

Em busca de uma explicação etimológica, por um lado, eles seriam os "portadores da opinião correta", mas aí o correto tem que ser entendido como o "mais aceito". Bom, pelo menos existe a pretensão para tal, mas existem muitas correntes teóricas ditas "heterodoxas" (não é simplesmente o contrário de ortodoxo, é aquilo que se opõe ao ortodoxo, porém de forma plural e heterogênea, como sugere o prefixo da palavra) que não acham que eles sejam portadores da verdade.

Eu particularmente prefiro acreditar em ortodoxia com o sentido que ela recebeu no português. A palavra me transmite uma ideia de dogmatismo, de arraigamento, de pouca flexibilidade e contrária ao pluralismo. Entendendo dessa forma, ortodoxia torna-se diferente de mainstream economics, podendo existir também do lado "heterodoxo".

O que quero dizer é que bem um neoclássico como um marxista ou keynesiano, seja lá o que for, todos podem ser ortodoxos ou não nesse sentido! E minha opinião particular sobre isso é que a ortodoxia nesses termos em nada ajuda no debate. Ortodoxia é ruim, nesse ponto de vista, para o desenvolvimento da ciência, seja a ortodoxia de fato ou a ortodoxia ao contrário, a "ortodoxia dos heterodoxos".

Caros heterodoxos, dentro dos quais me incluo. Respeitemos a etimologia da palavra! Sejamos plurais, e não ortodoxos, de fato! A construção do conhecimento passa pelo debate construtivo (tautologia necessária), pela defesa de ideias de forma bem embasada e não apelativa. Ninguém é dono da verdade!

Reflexões etimológico-econômicas incentivadas pelo debate no seminário de pesquisa do PPGE ontem.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Enquanto isso no mundo da Física...


Nós economistas aqui tentando melhorar a distribuição de renda ou maquinando maneiras mais eficientes de produzir riqueza enquanto que os físicos estão descobrindo a origem do universo! A ambição é mesmo de descobrir a origem de praticamente TUDO. E pelo visto eles estão chegando lá!

Gostaria de compartilhar o seguinte vídeo (postado no facebook pelo meu amigo Sandro), que explica de forma super didática o que é o tal Bóson de Higgs, a partícula que faltava ser descoberta, e que incentiva a construção de um enorme acelerador de partículas. O vídeo é super tranquilo e divertido:


Certa vez um professor comentou que a economia está ainda no estágio da Física Newtoniana (afinal a noção de mecânica está implícita nos modelos econômicos), enquanto que a própria Física já avançou e deixou esse paradigma para trás. Não quero dizer que as questões da Economia são irrelevantes mas o que afinal construímos todos esses milênios é apenas uma nanopartícula em comparação com o universo. E os caras tão aí criando teorias sobre coisas absurdamente mais grandiosas que o nosso pequeno planetinha. E isso é tão...grandioso!


Mas aí é que tá. Até que ponto será que essa não pode ser só mais uma teoria criada pelo homem para explicar o universo? Será que não existe a possibilidade de futuramente vir outra teoria e deixar esta obsoleta? Nós humanos estamos continuamente buscando a explicação de coisas que acontecem numa esfera completamente distante da nossa realidade e se aquilo está de fato certo ou não, o que importa é que a busca existe. A cenoura continua guiando o burro muito bem. Agora que cenoura é essa, de fato, ninguém sabe.

Eu só tenho uma ressalva. Uma ressalva de alguém que não sabe nada de física de partículas, que é um mero espectador desses avanços da ciência, mas que tem um questionamento que gostaria de fosse algum dia resolvido.

No vídeo ele comenta sobre a criação da vida a partir de átomos de hidrogênio e oxigênio (água). Logo, a condição da vida humana é água! Eu tenho a impressão que a pesquisa sobre vida em outros planetas está intimamente conectada à procura de água em outros lugares. Mas... não existe a possibilidade de existir uma forma de vida que não dependa de água? Pode ser muito pretensioso tirar uma conclusão a partir do conhecimento que temos (por mais avançado que este esteja), mas eu tendo a acreditar (sim, uma mera crença infundada) que pode existir vida sem necessariamente depende de água! Bom, enfim, eu adoraria que algum físico aparecesse por aqui pra contribuir nesse sentido!

A Física é uma ciência ao meu ver encantadora. Seus avanços são um sinal de que a busca incessante pelas explicações da origem continuam de vento em popa. Vejam as outras áreas do conhecimento, que lições podem tirar disso!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Reativando o blog!


Caríssimos,

O Blog passa por uma renovação como vocês podem ver! Não é só a carinha que mudou, quero divulgá-lo melhor e agradeço a contribuição de todos que puderem ajudar...divulgando! Não é uma tarefa muito difícil tendo em vista a quantidade de novas mídias disponível e as novas tecnologias que já ficaram velhas diante das mais novas e...opa, já tá ficando velha de novo! Peraí...enfim, é tudo tão rápido né?

Tudo tão rápido...aí vai passando o tempo...e tal.... e aí eu esqueço do blog!

Mas aí eu lembrei da função de penseira dele e associei com alguns insights que tenho tido ultimamente e decidi que era hora de voltar. Foi assim que criei o blog, num momento de efervescência cerebral fora do comum e é assim que decido reativá-lo!

Aceito sugestões principalmente dos que merecem mais respeito tecnológico que sabem como bem utilizar as novas mídias pra divulgar, tornar o blog mais interessante, mais jovial, mais qualquer qualidade legal dessas aí! Mas quem não é tecnologicamente sábio pode sugerir também, fiquem a vontade!

Queria compartilhar três informações com vocês:

A primeira é que eu exclui a última postagem que havia feito em Abril deste ano, sobre procrastinação. Exclui porque a ideia da renovação é exatamente ir contra o que eu havia escrito lá. (Ah mas isso é censura!) Sim, estou censurando algo que eu mesmo escrevi. Pode isso Arnaldo? Não sei, mas não acho que era uma informação muito relevante pra sociedade, muito menos ia no sentido que o blog tem. E o sentido tá bem explicitado no título. Assim, agradeço a contribuição da Inês que comentou e tudo, eu salvei aqui como rascunho, mas resolvi retirar a postagem de publicação!

A segunda informação é que eu andei analisando as estatísticas do blog e vi que algumas postagens tiveram um número que considero bastante razoável de visualizações! Isso me deixa muito feliz e com mais gás pra continuar. Para critério de informação, a campeã foi a postagem sobre Cultura Racional com 600! As postagens sobre propaganda política virtual (226), Glenn Hughes (188) e Academicismo (145) seguem na ordem.

A terceira é um pedido: votem na enquete do lado direito por favor! Vai tomar cerca de 2,67 segundos.

Por fim, peço aos que frequentavam com mais assiduidade para que assim continuem e comentem, isso me faz muito bem! hehe Claro, sempre na medida do possível! Espero conseguir novos frequentadores com essa empreitada!

É isso, valeu, espero continuar na missão de contribuir para o mundo virtual com alguma coisa que seja produzida por esta mente. Lembrando que estou todo ouvidos para comentários, críticas, sugestões e etc²...

Atenciosamente!

Space Wagner

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Reflexões monográficas


       O estudo da Ciência Econômica é um desafio constante. É um processo recorrente de colocar em xeque concepções pré-estabelecidas sobre o mundo em que vivemos, sem necessariamente substituí-las por outras, afinal, o que faz o conhecimento não são necessariamente as respostas, mas os questionamentos. Durante o período em que cursei o bacharelado em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Uberlândia, muito aprendi, mas também ampliei o escopo daquilo que se há de aprender. Uma vez li uma poesia, antes de entrar na universidade, que diria que nós saímos dela mais verde do que entramos, considerando a relatividade desse verde. Nesse sentido atribuído pelo autor da poesia, creio que o mundo será eternamente verde, pois haverá sempre o que descobrir.

       Ter feito esse curso foi essencial para manter acesa a chama da busca constante pelo conhecimento do mundo, por meio da razão e da experiência. Foi o motor da criação e consolidação de algum senso crítico. Foi de uma importância ímpar, fornecendo as ferramentas e as discussões de base para compor uma visão de mundo. Foi esclarecedor, inquietante, questionador e provocador. E é isso que faz alguma diferença na busca pelo conhecimento. Não quero fazer apologia crua do curso, quero apenas ressaltar seus pontos positivos, não desconsiderando a existência dos negativos.

       Existe algo que logo no início do curso nos é ensinado: a existência de uma dimensão normativa e de outra positiva dentro da ciência em geral. A primeira trata, grosso modo, daquilo que deveria ser, enquanto que a segunda trata daquilo que é de fato. Durante o curso, essas duas dimensões aparecem constantemente, pois antes de fazerem parte da discussão econômica, são parte integrante do pensamento humano: estamos sempre no embate entre aquilo que somos e aquilo que achamos que devemos ser. No caso específico da ciência econômica, em que estudamos os arranjos sociais e produtivos em torno dos quais nós seres humanos nos organizamos, esse embate é patente e essencial para seu desenvolvimento. Estamos fervorosamente buscando saber o que de fato é a realidade em que vivemos e ainda buscando entender como ela deveria ser. 

       Desconheço uma referência que tenha dito o que vou colocar agora, mas creio que ela exista e provavelmente de forma não singular, mas vejo que o embate teórico mais evidente da teoria econômica, ou seja, aquele entre a economia “convencional” composta pela visão neoclássica e aquele da economia “heterodoxa”, composta pela visão crítica à primeira, nada mais é do que a expressão do embate entre o que deveria ser e o que é. Ora, a primeira constrói modelos baseados em pressupostos na maioria das vezes ideais, na busca daquilo que seria uma situação equilibrada e ótima para todos os indivíduos, enquanto que a segunda analisa a realidade e mostra as contradições que nela subsistem. A primeira vê os problemas como um desprendimento da trajetória em busca do que deveria ser a economia, mas a segunda os vê como parte integrante da realidade dessa economia. 

       
       Considero que o debate teórico é essencial para o desenvolvimento de uma ciência, e o debate entre duas visões foi crucial para a consolidação da ciência econômica e para a proposição de soluções para os problemas da humanidade. Mas deve-se prestar atenção para que do debate sempre surjam novas colocações, afinal cada lado desse embate tem o que contribuir. Lembremos de Hegel: a uma tese sempre corresponde uma antítese e do embate delas se forma uma síntese (que por sua vez se constituirá em nova tese). Coloco isso pois considero que existem momentos em que o debate é feito de forma irracional, pois na verdade cada lado dele está falando de uma coisa totalmente diferente. Cabe entender o que cada um tem com o que contribuir. 

       Penso que esse momento, de fechamento do curso, é o momento de fazer a síntese a partir de todas as teses e antíteses abordadas, de modo que isso constitua uma nova tese. Aqui falo de ciência, e não de política, por isso não acho que seja o caso de mostrar uma “filiação” (e esse é o termo utilizado) para alguma determinada corrente teórica, mas mostrar que é possível fazer ciência mostrando a contribuição de cada um, colocando sempre em voga o debate entre aquilo que é e aquilo que acreditamos que deveria ser. E assim continua o desenvolvimento da ciência, para o qual espero dar minha humilde contribuição.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Academicismo": banalização da vida acadêmica e produção intelectual inconsequente

Il ne faut pas...

Il ne faut pas laisser les intellectuels jouer avec les
allumettes
Parce que Messieurs quand on le laisse seul
Le monde mental Messssieurs
N'est pas du tout brillant
Et sitôt qu'il est seul
Travaille arbitrairement
S'érigeant pour soi-même
Et soi-disant généreusement en l'honneur des travailleurs du bâtiment
Un auto-monument
Répétons-le Messssssieurs
Quand on le laisse seul
Le monde mental
Ment
Monumentalement.
Jacques Prévert. Paroles. Paris: 1949

Jacques Prévert não foi o primeiro nem o último cara a realizar uma crítica aos intelectuais. Agora, pretendo dar alguma contribuição para o assunto por meio dessa postagem.

Foram várias e várias as fontes de insights que me propiciaram a ideia de escrever sobre o assunto. E, putz, faz uma cara que eu não posto aqui não só por falta de tempo, mas também porque fiquei muito tempo reunindo coisas nessas gavetas cerebrais pra tentar formular alguma coisa. E, principalmente, alguma coisa que não fosse mera produção acadêmica sem valor algum.

Pra mim, uma das coisas mais deprimentes do mundo foi ouvir da boca de professores coisas como "ninguém precisa ser original hoje mais, até tese de doutorado não precisa de critério de originalidade". Normalmente, as pessoas ficam mais reflexivas quando estão fazendo suas monografias? Não sei, mas acho que todo mundo, em alguma medida, tenta "descobrir o Brasil", mesmo no plano das ideias. Mas sempre o orientador, ou qualquer outra pessoa, te dá um foco pra que você de fato consiga escrever alguma coisa na monografia, que, de fato, não pode ser um trabalho muito extenso. Algumas coisas precisam ser "deixadas" para outro momento da vida. Até aí tudo bem.

Mas daí a sofrer um desestímulo por parte de alguém da academia (teoricamente um conceituado intelectual responsável pela elaboração de conhecimentos RELEVANTES) a fazer algo original? Ainda com o argumento de que nem doutores precisam ser originais hoje em dia? Peraí, se é assim, o acadêmico serve pra que?

Como tudo na superestrutura capitalista (e quantas vezes eu já entrei nesse âmbito no blog), temos que ter em mente que o que guia esse sistema é sempre a lógica do dinheiro. Claro, como haveria de ser verdade, o que se vê hoje é a academia também sendo guiada para esse fim. Pelo menos eu vejo assim. Se existem tantos produtivistas por aí, parece que o único intuito de escrever um trabalho é para que você ganhe um certo reconhecimento que te propicia dinheiro, principalmente na forma das chamadas bolsas de produtividade. Como o próprio nome diz, você ganha para produzir. Mas para produzir o que? Afinal, o que está sendo produzido tem qual validade?

Certa vez um professor em sala de aula disse algo bastante sintético nesse sentido: "vocês que farão mestrado e doutorado terão professores piores do que os que eu tive". Isso porque os intelectuais outrora eram, antes de mais nada, estudiosos, sábios. Pessoas que de fato traziam uma contribuição fundamental ao crescimento da ciência e, enquanto bons intelectuais, possuíam uma abrangência e certa propriedade para falar de quase tudo dentro da sua área do conhecimento (ou até mesmo fora dela, pois também tinham uma preocupação fundamental com a bagagem cultural e a experiência). Isso é o resultado da formação de uma pessoa que se graduou e ainda continuou estudando, mas fez mestrado ou doutorado (se é que fez) num outro momento da vida, com maior maturidade e experiência. No fim da vida, os caras nem escreveram tanta coisa, mas o que escreveram é de uma relevância bastante considerável. Boa parte dos grandes intelectuais (de verdade) que conheci sequer tinham mestrado.

Hoje, os acadêmicos são muito mais "eficientes" e o "mercado" exige que, para que ganhem dinheiro rápido, devem fazer mestrado e doutorado tout de suite e ser um doutor com nem 30 anos. Alguns ainda nem sabem o que é uma sala de aula e se tornam professores, por que detêm um título, que deixou de ser uma consequência para ser um objetivo primordial que, na verdade, leva ao dinheiro. Resultado, formam-se acadêmicos muito novos, pouco experientes, com pouca abrangência, mas que sabem muito...................sobre uma coisa bastante específica. E o resto? bom, o resto...


Antes uma disciplina rodava mais entre os professores, porque todos eram de certa forma capazes de ministrar quase tudo. Hoje um cara só consegue dar aula de uma coisa porque aquilo é o que ele fez a vida inteira, não dá pra escapar. O intelectual que antes contribuía para o avanço da ciência agora usa da ciência desenvolvida para explicar algo extremamente específico. Aliás, a ideia hoje é produção, produção. "Você TEM QUE produzir". Isso soa como: TENHO QUE PRODUZIR, não importa o que. Esse não importa o que soa como "nem que seja pegar o que alguém já fez e fazer igual pra uma situação muito parecida", afinal, nem doutorado precisa ser original mais né (em algumas áreas e em alguns institutos ainda é, graças!). Eu mesmo já vi tese de doutorado ser igual a um artigo de outra pessoa. A única coisa que mudava era o número de páginas e a quantidade de números pra provar a mesma coisa.

E revistas são criadas para hospedar o crescente número de publicações de baixa relevância. As que não são extremamente específicas são apenas revisões bibliográficas. Resumos. Não que eles não sejam importantes, afinal alguém pode te ajudar a entender aquilo que você não entendeu de um determinado autor. Mas isso é utilizado como produção intelectual, quando na verdade, não tem nada de novo. E depois as revistas podem ser arquivadas, afinal, pra que divulgar o conhecimento produzido? (aliás, outro problema, grande parte do conhecimento é pouco difundido nos meios não-acadêmicos.......)

É sempre bom lembrar que esse é um assunto complicado porque, de fato, existem bastantes exceções à essa regra e, thank god, essas exceções ainda podem fazer muito pela ciência e pelo homem. Mas é sempre bom lembrar também que a tendência apontada se intensifica a cada dia, pois estamos num sistema em pleno desenvolvimento, cuja lógica tende a guiar todos os seus padrões. Outra coisa que é válida lembrar: cada um fala com o ponto de vista do seu "lugar social" e, como é de se esperar, eu estou falando do meu. Uma pessoa pode vir aqui e contradizer tudo o que eu disse com fatos que parte de outro lugar social onde predominam as exceções. Bom, creio que as duas coisas subsistem.

Me preocupo muito com isso pois penso seriamente em seguir vida acadêmica (e essas reflexões se tornam mais pujantes quando do fim do curso........... e da produção da monografia). Mas, definitivamente, se for pra ser um acadêmico como esses que citei, acho que prefiro ganhar dinheiro de uma forma mais capitalista. Todavia, me preocupo muito com a ciência para o homem, que ainda tem muito o que aprender. E espero sinceramente poder de alguma forma contribuir para isso algum dia.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Propaganda Política Virtual: em busca de uma opinião concreta


Ótimo assunto para se escrever quando não se está de muito bom humor: Propaganda Política.

Odeio, com todas as minhas forças. E às vezes me faz rir, de desgosto, talvez.

Na verdade, era para ser algo totalmente desnecessário, afinal, um representante da sociedade deveria receber votos a partir dos seus próprios méritos: da capacidade de intervenção em prol de um interesse coletivo, e não individual, da iniciativa e, claro, da popularidade, mas, digamos, de modo que ela seja construída com ações concretas e não com discursos demagogos.

Infelizmente e nosso país tem problemas SERÍSSIMOS nesse quesito. Via de regra, a enorme quantidade de escândalos gerada por meio de rixas políticas por meio de propagandas eleitorais gera, ao cabo, uma eleição de um determinado candidato que chegou ao posto muito menos pelos seus méritos e muito mais pela capacidade retórica/demagógica de convencer as pessoas a dedicarem seus momentos de democracia ao indivíduo, às vezes, com alguns incentivos a mais, de âmbito monetário, se é que vocês me entendem. Claro que existem exceções, mas a regra funciona mais ou menos assim.

Então, esse é mais um aspecto da superestrutura da sociedade capitalista que segue a velha lógica individualista, afinal, a carreira de um político parece estar muito mais associada aos recursos que esse move para a sua campanha (e os lobbies, propinas e escândalos representam alguns custos necessários para a empreitada), de modo a usufruir dos benefícios de ser eleito do que a uma representação social de fato. De novo, lembro que existem exceções e que, de fato, a política no seu sentido social existe aqui e em todo o resto do mundo, mas gostaria de ressaltar que também o âmbito político está dentro de uma esfera maior, a lógica capitalista, tema que venho tentando abordar sempre nesse blog. Mais distorções, mais contradições...

Em outras palavras, atento para que os políticos não são seres externos altamente corruptíveis pelo poder, que agem sempre de uma forma individualista e inescrupulosa por serem...políticos. Não, eles ainda são representantes sociais e, por isso mesmo refletem um caráter social da nossa sociedade! Portanto não coloquemos a culpa de nada neles pois toda a carniça está no âmago da lógica que resolvemos adotar para as nossas vidas. 

O marketing também é uma coisa que surgiu com o capitalismo, devido a necessidade de divulgar as mercadorias e provocar consumo exagerado das grandes massas, visando, é claro, money money money. E aí temos uma linha tênue entre política e marketing...pessoal. Peraí, marketing pessoal para algo intrinsecamente social?

E que ***** ... Afinal, agora vão utilizar o meio virtual também para fazer propaganda política.


Se tem uma coisa que surgiu no sistema capitalista, mas que, intrinsecamente, me parece desprovido de uma lógica relacionada ao lucro individualista, apesar de ter sido criada no bojo de empresas que com certeza ganham muito dinheiro com isso...é a Internet. Existem muitas coisas que podem ser feitas no meio virtual que não precisam de dinheiro e, por isso, eu de fato acredito bastante no potencial da internet para uma inversão de paradigma no futuro. Mas é claro que sempre se arruma um jeito de usufruir desse meio para interesses individuais, marqueteiros, bla bla bla. E é isso que vai acontecer agora com a propaganda eleitoral.

¨%*&*%&*$%&... O Dep. João Bittar tá me seguindo no Twitter, pronto falei. É isso que me gerou raiva suficiente para fazer essa postagem, puto da vida, afinal se escancarou o fato de que agora teremos que aguentar propaganda eleitoral na internet.

PORQUE DIABOS aquele salafrário aproveitador de lares de idosos para conseguir votos* está ME seguindo no Twitter? Estou começando a achar que estão me considerando subversivo! Vão me considerar mesmo se verem isso aqui. Bom, estou usando a Internet para exercer liberdade de expressão.

*Tenho informações e depoimentos concretos que provam isso.

Essa postagem tem um intuito especial, além de desabafar. Saber a opinião de mais pessoas sobre propaganda eleitoral na internet. Pra mim vai ser um saco ter que aguentar isso aqui também.

O voto nulo significa descontentamento perante os candidatos existentes. Lembrem-se disso.